Varican



Temos que desenvolver o senso de dignidade contra a tirania financeira


Adriano Benayon


O regime de tirania financeira que estamos vivendo comandado por oligarquia financeira internacional usurária, está levando o País a inusitada situação. Têm-se como normal um sistema que nos conduz à ruína e ao desmembramento territorial.

Do Produto Interno Bruto apenas 30% está sob o controle de residentes no País. Essa parcela porém compreende setores de menor dinamismo e pouco poder decisório. Ou seja, o controle qualitativo e quantitativo da vida econômica nacional está nas mãos de não residentes.

Nessas condições, o crescimento do PIB, o sonho dos tecnocratas, resulta necessariamente no aumento desse controle. Até os patrimônios naturais estratégicos, dos quais dependemos para viver centenas de gerações à frente, estão quase todos em mãos externas, resultado de transferências ilegítimas no maior saqueio de patrimônio público da história. Isso decorre também diretamente da regência de nossas vidas pelo uso da lógica das teorias ditas econômicas que, na realidade, são apenas monetárias, posto que fundamentam suas estruturas em variável única: a moeda de referência internacional, de emissão arbitrária e unilateral, em regime de monopólio.

Ela transformou-se em falso símbolo do mundo físico, o qual é a base das transformações econômicas. Apesar disso, é imposta como valor supremo, ficando a realidade física relegada a desvalorizações sistemáticas. O que vem do mundo físico e não é abundante no mundo hegemônico é desvalorizado ante a tirania dessa abstração monetária, manipulada por especuladores e máfias internacionais.

Circulam hoje sob a forma de derivativos mais de dez vezes o valor do produto mundial bruto... Esse falso símbolo se multiplica, às vezes à noite, em valores que nem mesmo os ganhos com o comércio de cocaína proporciona ressarcimento a seu apetite. Esse indispensável veículo de trocas, hoje quase nada simbolizando, com a globalização, penetra sem restrições em todas partes pela mão de especuladores: desmonta e provoca o colapso dos respectivos sistemas financeiros nacionais, instrumento essencial de soberania.

Criou-se assim desordem financeira mundial, dando a uma pequena oligarquia parasitária o poder de tirania absoluta sobre todos os que não fazem parte desse fechado clube. Isto somente é possível com brutal desvalorização de tudo o que é fisicamente concreto e que não esteja sob o controle deles. Hitler nunca foi tão longe na direção de submeter o mundo ao seu arbítrio.

Assim : a) o quartzo de primeira qualidade, matéria prima estratégica e única da eletrônica contemporânea, base física da tecnologia do silício, é exportado por apenas 10% do que valia antes do seu uso para esse fim, o que fez crescer em milhões de vezes o seu uso;

b) as ricas minas de manganês da serra do Navio, no Amapá, depois de retirarem sessenta milhões de toneladas de minério para exportar por preço ridículo, transformou-se em buraco vazio. Grande parte desse minério está hoje na Pensilvânia;

c) a energia elétrica de Tucuruí é vendida para as produtoras estrangeiras de alumínio por pequena porcentagem de seu custo;

d) a tonelada de minério de ferro é exportada por valor tal que o Brasil precisa colocar 30 toneladas desse minério em Tóquio, do outro lado do mundo, para que um brasileiro possa dormir uma noite em um hotel de Nova York;

e) enquanto isto, nossos produtos agrícolas de exportação (açúcar, álcool, suco de laranja etc.) sofrem elevadas sobretaxas protecionistas dos países ricos, que, ademais, subsidiam em centenas de bilhões de dólares seus produtos - vejam a defesa que fizeram de seus interesses na chamada Rodada do Milênio, recentemente, em Seattle, EUA;

- ainda mais, o Brasil escancarou as fronteiras de seu mercado interno reduzindo, sem contrapartidas, suas taxas de importação e transformando o terceiro superávit comercial em permanente déficit. É burrice demais para ser apenas burrice. Provavelmente é fruto de alta competência de agentes externos em posições estratégicas fazendo-nos a todos de bobos.

"O preço que pagamos"

Adiciona-se a isso a circunstância das empresas e corporações estrangeiras pagarem entre zero e 6 % de juros ao ano para seus empréstimos, enquanto a empresa de capital nacional, além de perversa dependência tecnológica do exterior, paga entre 40 e 100 %. Não vai sobrar nenhuma para contar a história... . São ou não são cínicos e delinqüentes os yuppies nativos que governam o País? É preciso porém evidenciar a natureza das operações que aceitamos e que nos é imposta de fora sob aparentes terminologias neutras de: investimentos ou empréstimos, em armação que nos subjuga e nos leva à ruína.

De modo simultâneo, o que delas decorre impede que tenhamos uma moeda nacional forte e conversível que simbolize, no mínimo, nossa imensa riqueza natural, cada vez mais estratégica para o futuro econômico do mundo.

Tudo ocorre nessa armação da seguinte maneira: Quando no Brasil pretende-se estimular a produção de riqueza, a agrícola, por exemplo, por ser junto com a mineral, a base de todas as atividades com conteúdo econômico, acontece sempre o seguinte: Detemos em nosso território, com muita abundância, terra, água, energia, trabalhador, enxada, técnica agrícola, semente, trator, sol, enfim, todos os ingredientes e recursos essenciais para uma farta e eficiente produção.

Entretanto não deixam que esta ação ocorra porque falta - dizem cinicamente - o que os economistas chamam de recursos, algo abstrato e falso em seu conceito original, a moeda, sem a qual o brasileiro não tem o direito de usar sua rica natureza e sua indiscutível capacidade para produzir riquezas.

É então obrigado a vestir, direta ou indiretamente, a camisa de força do investimento ou do empréstimo externos, sem os quais - dizem os tecnocratas - seria inconcebível qualquer atividade econômica. O mais curioso é que estar-se-ia a produzir riqueza nova e portanto a garantia das condições necessárias à emissão de moeda legítima, verdadeira e nacional. Cria-se então, sem nenhuma razão de ser, o controle e a subjugação a um sistema implacável é delinqüente, do qual a libertação, nas atuais 'circunstâncias, é impossível. O resto é manipulação odiosa da opinião pública à qual se submetem bovinamente os políticos e a falsa intelectualidade.

Os dirigentes são moços de recado servis a esse sistema.

Com essa dinâmica levada a suas últimas conseqüências, o brasileiro está perdendo tudo: patrimônios naturais estratégicos, soberania e a vida. Até a tradicional alegria de viver do nosso povo está começando a escassear.

Chegamos. assim a uma dívida externa impagável, ao controle externo de nossa economia e à pior distribuição de renda em todo o mundo, abaixo da Costa do Marfim e da Botsuândia, com mais de 70% da renda interna em mãos estrangeiras e com cerca de 70 milhões de brasileiros com renda diária menor que meio dólar, refletindo uma situação de genocídio, se não fosse a bendita economia paralela; aquela fora do controle dos tecnocratas e do sistema internacional de moeda fictícia. É o descolamento da economia da realidade, devido a essas falsas teorias!

É impossível sobreviver como nação organizada nessas circunstâncias. Só a urgente ruptura com esse hediondo sistema controlado de fora do País pode nos salvar. Ele tem a seu serviço um exército de ocupação de nativos, formados em universidades brasileiras e doutrinados naquelas do chamado primeiro mundo, EUA à frente. Haja brasileiros de verdade para salvar a dignidade nacional !


Voltar