Varican

7 de maio de 2003


Notas sobre Economia


Dartagnan da Silva Zanela (*)


Jano, na mitologia greco-romana, é a divindade ordenadora do mundo, aquele que representa os momentos de transição e das passagens, e por isso era ele representado com duas faces: uma voltada para frente e outra para trás, pois acreditava-se que ele detinha o conhecimento tanto do futuro, como do passado.

E, como nos encontramos em um momento de transição política, pois a meu ver, um processo de transição é muito mais longo que um ou dois meses, cabe a nós, evocarmos a sabedoria da simbologia desta figura mitológica e voltarmos nossos olhos para os números do ano e do governo que se findou, como os do atual, que está sendo visto pelas vedetes da mídia como um Clarão para nossa economia devido os números apresentados aos olhos das massas nos telejornais.

Todavia, graças a Javé, temos observadores argutos, como o professor de economia Ricardo Bergamini, da UFSC, que nos trás a luz, alguns dados e bem como alguns questionamentos basilares para que possamos melhor vislumbrar a dramaticidade do momento que nosso País está vivenciando.

Aponta-nos o professor, com a frieza dos números a dureza dos fatos de que no ano passado, que foi o pior da "dinastia" FHC, tivemos U$ 13.2 Bilhões de superávit e recebemos U$ 12 Bilhões em investimentos líquidos externo, o que acabou por gerar um fluxo positivo de U$ 2.1 Bilhões por mês. Correto? Pois bem, continuando na trilha aberta pelo professor Bergamini, até março deste ano, tivemos um superávit de U$ 3.7 Bilhões e U$ 0.3 Bilhões em investimento líquido externo, o que gerou um fluxo positivo de U$ 1.3 Bilhões por mês. U$ 0.8 Bilhões menor que a média do último ano.

Muito bem, mas o que o distinto professor de economia quis dizer com tudo isso? Que não há excesso de dólares no mercado que justifique essa valorização do real que gira em torno de 17%! Ou seja, o que acabou por gerar esta queda na cotação do dólar não seria o excesso da moeda estadunidense em nosso mercado interno, mas sim, a escassez dos nossos Reais.

Como assim? Bem, o atual governo: "Nos três primeiros meses do ano de 2003, além do aumento de juros da ordem de 17% em comparação com dezembro de 2002, houve aumento dos depósitos compulsórios da ordem de 15%, esterilizando reais do mercado, ou meios de pagamento, que com base no efeito multiplicador de base gerou um corte do capital de giro dos bancos para as empresas da ordem de 45%.Em função deste corte abrupto do capital de giro das empresas, muitas empresas sadias e adimplentes se tornaram, de repente, inadimplentes, tanto em seus compromissos externos, quanto internos." Em outras palavras: tragédia grega não contada, ou seria mesmo um presente para troianos?

E como poderíamos confiar em um grupo político que até algum tempo atrás condenava comoimoral o modelo de reforma da previdência indicado pelo governo anterior ao ponto de mover a população contra ela e agora, com a maior cara de pau frisa a importância das mesmas reformas e a urgência de elas serem votadas. O que a corja não fala é que estas reformas já poderiam ter sido votadas se eles não tivessem ficado no congresso com o seu discurso palanqueiro e demagógico, da mesma forma que hoje fazem posse de "bons Estadistas" diante de um crime contra a sociedade que é este ufanismo frente a baixa do dólar, sem mostrar para a sociedade a maracutáia, a cama de gato que eles nos armaram.

Com toda certeza muitos militantes petistas ao lerem esta missiva estarão me jogando para os cães, mas, como cidadão brasileiro que sou, peço-lhes que meditem sobre estas palavras e sobre estes números com a devida seriedade que o passado nos cobra, e que o futuro nos exige.

Sugiro também, a leitura dos estudos econômicos do professor Ricardo Bergamini disponíveis em sua home page - www.angelfire.com/sc3/ricardobergamini - que, creio eu, lhe serão de grande valia para melhor compreensão da crítica situação que estamos enfrentando nesta gaiola de desvairados vaidosos chamada Brasil.

(*) Autor dos livros Sofia Perennis e O Ponto Arquimédico


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