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Texto
recebido via e-mail em difusão geral e divulgado por
Varican devido a sua relação
com a nossa realidade.
TEOLOGIA DA LIBERTACÃO E AS ESQUERDAS BRASILEIRAS NO II
FORUM SOCIAL MUNDIAL (Tradução)
Febr. 19, 2002: Libertad Digital - Diario en la Red, Madrid,
Internacional
Editorial CubDest
O
2º Fórum Social Mundial (FSM) de Porto Alegre, com 51
mil participantes e 800 conferências, duplicou as cifras do
1º FSM, segundo seus organizadores, superando todas as
expectativas.
O
2º FSM deixou a descoberto uma crescente rede de movimentos
sociais e de Organizações Não
Governamentais (ONGs) os quais, em sua maioria, estão
identificados com as posições de esquerda. Entre
elas, as mais dinâmicas têm uma orientação
revolucionária marxista ou anarquista.
A
presença brasileira foi predominante, sem dúvida por
pertencer ao país anfitrião, mas também pela
capacidade de articulação e liderança
demonstradas por suas ONGs. Do total de 4909 organizações
inscritas, 2368 eram brasileiras e, dos assistentes, mais de 80%
eram brasileiros.
Duas
das figuras mais aplaudidas e mesmo ovacionadas durante as
apresentações nos enormes auditórios da
PUC/RS, sede principal do evento, foram Luis Ignácio Lula
da Silva, líder do PT e candidato presidencial da esquerda
e Frei Beto, religioso dominicano que se transformou em um dos
maiores impulsionadores da Teologia da Libertação no
Brasil.
Frei
Beto não oculta a sua admiração por Cuba
assim como pelo ditador Fidel Castro, de quem é amigo e
conselheiro. Atualmente, é a eminência parda
de uma vasta rede de movimentos sociais tais como a
Pastoral Operária na região do ABC paulista, do MST
(responsável por boa parte dos atos de violência no
campo) e de redes poderosas mas quase desconhecidas do grande público,
reunidas na Central de Movimentos Populares.
Outra
figura teve destaque no 2º FSM foi Francisco
"Chico" Whitaker, um dos principais coordenadores
deste e do Fórum anterior, como representante da Comissão
Brasileira de Justiça e Paz, órgão da CNBB.
Whitaker
também não esconde a sua admiração por
Cuba.
Três
bispos identificados com posições de esquerda
na Igreja Católica do Brasil, participaram de conferências
do 2º FSM: Mons.Luciano Mendes de Almeida, ex-presidente da
CNBB, Mons. Mauro Morelli e Mons. Tomás Balduino, fundador
da Comissão Pastoral da Terra (CPT) , entidade que junto
com o MST deu azo à prática de numerosos a0tos de
violência no campo. O ex-frade franciscano Leonardo Boff,
que também estava
convidado para o evento, não podendo participar por
razões de saúde, enviou mensagem aos participantes.
Frei
Beto, em sua palestra "Mística e Revolução",
deu detalhes de como as chamadas Comunidades Eclesiais de Base
(CEBs), inspiradas na Teologia da Libertação,
conscientizaram e promoveram a grande maioria dos atuais líderes
sindicais, sociais e políticos da esquerda brasileira, ao
longo dos últimos 40 anos. O conferencista incluiu, entre
eles, os que pertencem à CUT, à Central dos
Movimentos Populares, ao MST, etc., frisando que isto se
deve ao trabalho da Igreja que, através das CEBs, foi
criando uma sementeira de líderes populares os quais,
posteriormente, passaram a criar espaços populares na
sociedade, acrescentando: O MST tem 26 dirigentes
nacionais e todos eles entraram pela porta da Igreja. É
muito difícil encontrar líderes da CUT, da CMP,
etc., que não tenham ingressado nessas organizações
sociais pela porta da Igreja. O
religioso dominicano elogiou também por ser
muito avançado em matéria sócio-política,
segundo os padrões da Teologia da Libertação
o documento da CNBB intitulado Eleições 2002
propostas para uma reflexão, que esta sendo difundido
para todas as dioceses do País. Anteriormente, em outra
conferência, fora assinalado pelo mesmo Frei Beto que a meta
das esquerdas, católicas ou não, continua sendo o
socialismo; da mesma forma foram mencionados seus elogios a Marx e
a Guevara.
Não
só pelas palavras de Frei Beto mas também pela
capacidade de organização durante o 2º FSM,
ficou cabalmente demonstrado que a Teologia da Libertação
conseguiu sobreviver ao clima adverso dos últimos anos,
quando muitos pensaram que ela entrara em concordata ou mesmo
houvesse falido. Mais ainda: com um pertinaz trabalho de
bastidores tem hoje, em suas mãos, a liderança
revolucionária no Brasil.
É
nesse contexto que se explica a preocupação
recentemente demonstrada pelo Bispo de Jundiaí/SP, Mons.
Amaury Castanho o qual, ao enumerar os problemas internos
mais preocupantes da Igreja, mencionou a irritante,
conhecida e fora de propósito influência de alguns
ativos assessores da CNBB, irredutíveis em suas posições
esquerdizantes; a inegável e persistente
tentativa de enquadrar nos rumos da Teologia da Libertação,
condenada pela Santa Sé nos anos de 1984 e 1986, as
Pastorais, os Serviços e os Novos Movimentos Eclesiais;
as tomadas de posição de cunho claramente político
e partidário da CNBB, de algumas de suas Regionais, do
Conselho Indigenista Missionário, da Comissão
Pastoral da Terra e de outras organizações ligadas à
Igreja e a "indesmentível
adesão e empenho de numerosos clérigos e leigos por
opções marxistas, socializantes e estatizantes
(cfr. "A Igreja no Brasil (V) Problemas e desafios,
Jornal de Jundiaí, São Paulo, 5 Fev 2002).
Não
obstante, muito embora a enorme influência alcançada
pelas esquerdas brasileiras, nem tudo corre às mil
maravilhas para elas. Reconheceu-o Lula, em discurso ante o
governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra; a prefeita
de São Paulo, Martha Suplicy; o economista Luiz Gonzaga
Belluzo; a deputada Maria da Conceição Tavares;
outras personalidades do PT e milhares de militantes, durante o
seminário Outro Brasil é possível,
organizado pelo Instituto da Cidadania. Recordando sua recente
intervenção na 10ª Assembléia Anual do Fórum
de São Paulo, realizada em Havana, em Dez 2001, Lula
reconheceu que "não podemos continuar acreditando que
nossos fracassos eleitorais são devidos às virtudes
de nossos adversários e não em nossos defeitos,
porque muitas vezes a esquerda faz um jogo que nem sempre é
o mais conveniente. E esse jogo imprudente tem consistido,
segundo ele, em
mostrar ao público brasileiro um perfil muito radical.
Esse
defeito estratégico, que tem prejudicado o
crescimento eleitoral das esquerdas afetaria, segundo Lula, a
99% dos participantes do 2º FSM fazendo, ao mesmo
tempo, um apelo para corrigi-lo. É de notar que o
presidente do PT limita-se a criticar os meios táticos
utilizados e não os objetivos finais das esquerdas que
continuam, geralmente,
com o mesmo radicalismo.
Diante
disso, a nossa arma, simples mas efetiva, deverá ser
mostrar o que essas esquerdas pensam na realidade e provar que a
sua eventual moderação não passa
de uma estratégia para iludir o eleitor e alcançar
maior influência sobre a população que alega
defender. Por exemplo, já que Lula lembrou, em Porto
Alegre, sua participação na 10ª Reunião
do Fórum de São Paulo, é o caso de mencionar
que, na ocasião, ele fez elogios comprometedores (e pouco
conhecidos) ao ditador de Cuba, Fidel Castro, a ponto de
dizer-lhe: "Embora seu rosto já esteja marcado por
rugas, Fidel, sua alma continua limpa porque você nunca
traiu os interesses do seu povo; obrigado, Fidel,
obrigado por você continuar existindo.
Uma
análise do exposto permite-nos verificar, por um lado, as
dificuldades encontradas pelos líderes esquerdistas para
obter o apoio da opinião pública quando mostram
claramente suas idéias revolucionárias; mas, por
outro lado, percebe-se em seus integrantes disciplina e a
capacidade de continuar articulando-se, atuando e influindo nos
turbulentos acontecimentos sócio-políticos e que
mesmo lutando contra circunstâncias adversas não
deve ser subestimada.
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