Adolf Hitler em sua obra Mein Kampf diz-nos que, é mais fácil
enganar o povo com grandes mentiras do que, com pequenas. É
certo que este senhor de bigodinho de gradear... foi um crápula
mas que, temos de concordar: neste trecho de sua obra (p. 153),
ele disse uma grande e infeliz verdade. Do mesmo modo que um outro
crápula que tinha a mania de ficar com a mão dentro
da casaca, o Sr. Napoleão Bonaparte, havia dito que é
muito mais fácil dominar os homens pelos seus vícios
do que pelas suas virtudes.
Assim sendo, se voltarmos nossos olhos para as grandes promessas
feitas ao léu veremos que estas nunca moveram montanhas,
com toda certeza. Mas, por sua vez e não de forma
insignificante, estas acabaram por deslocar multidões
imensas a bestialização coletiva e nada mais.
Doravante, o começo destes tipos de agravantes sempre foi
desencadeado pelo véu púrpura que encobre a nossa
retina, o véu da inveja. Do mesmo modo que nos lembra o filósofo
Artur Schopenhauer, a raiz de muitos de nossos problemas é
devido a nossa facilidade de confundirmos as virtudes com os vícios,
as qualidades humanas com as falhas e vice-versa. Quando uma
pessoa é econômica, achamos que ela é
avarenta, mão-de-vaca; quando ela é rígida,
dizemos que é injusta e autoritária ou, se ela é
séria é metida a besta. Ou então, se ela é
sincera ela é estúpida, grossa; se esta for
auto-confiante ela é arrogante, esnobe e assim por diante.
Pois bem, partindo deste princípio, as multidões só
fazem isso e nada mais que isso. Confundem tudo visto que, elas não
param para ponderar o que está ocorrendo, apenas vão
na onda, como dizem a molecada. Certa vez uma Doutora em História
amiga minha, havia me confessado após algumas garrafas de
vinho que na época das diretas ela pulou a janela para ir
nas manifestações. Ela não sabia ao certo o
que era, dizia ela, mas parecia legal. Do mesmo modo que um outro
Sr. que dizia-me outrora que quando ele era estudante ele, saia
pelas ruas a protestar, a gritar as palavras de ordem, sem saber o
que significava tudo aquilo. Ele dizia que estava lá apenas
pela festa. Eu também, participei de manifestos e pior, eu
achava que sabia o que estava fazendo. Acabei por me decepcionar
comigo mesmo por não ver o erro em tempo.
Na maioria das vezes, as pessoas não desejam justiça
mas sim e apenas a doçura do mel homérico da vingança,
o que o oprimido mais deseja, no fundo de seu ser é apenas
ocupar o lugar do opressor e por esta razão que, é
mais fácil iludir o povo com mentiras colossais do que com
as diminutas, controla-los pelos através de seus piores
desejos do que através de suas mais elevadas qualidades. As
multidões sempre são irracionais. E, antes que
qualquer devoto de uma ideologia coletivista ou mesmo qualquer
homo politicus sintam-se feridos em suas partes, sensíveis,
visto que eles necessitam um rebanho de sonâmbulos que
pensam estar acordados para se sustentarem em suas posições,
voltemos nossos olhos para a história e vejamos alguns
exemplos que mais do que comprovam o que eu estou tentando dizer.
A Revolução Francesa, por exemplo, com a brilhante
idéia que os jacobinos tiveram, criaram a famigerada
Ditadura do Terror onde foram mortos aproximadamente 40.000
pessoas em pouco menos de um ano, onde mais da metade destas
pessoas foram executadas na guilhotina (criada nestes dias para
estes fins, os espetáculos de "justiça
revolucionária"), em praça pública, para
o deleite do povo. Não havia coisa que os sans-culotte mais
adorassem do que ver, a cabeça de um nobre ser decepada e
depois exposta pelo carrasco. Os jacobinos sabiam que a inveja era
maior que qualquer sentimento de justiça e através
deste malicioso ardil conseguiram controlar o povo que, por algum
tempo se esqueceu de suas promessas visto que, a ânsia maior
da plebe francesa não era serem justiçados mas sim,
apenas ver os vagabundos do palácio de Versalhes perderem
suas cabeças e ficarem numa pior visto que o mel homérico
da vingança é mais saboroso que a fria lâmina
da espada da justiça. Não havia a necessidade de
conquistarem uma vida melhor, bastava apenas que o que estava bem
se ferra-se, ou vão me dizer que este sentimento escroto não
permeia até hoje nossa sociedade?
O ser humano tem esta pitada de maldade intrínseca em sua
alma, é incrível! Esta maldade que nos deixa cego
para o mundo e para a sua complexidade. A preguiça é
suave e com facilidade guia uma alma ao ódio desmedido e
sem razão aparente visto que a ira trás um conforto
muito mais rápido para os fracos do que as pedras do
caminho da verdade. Um bom exemplo deste nosso aspecto doloso ouvi
em uma conversa com uma pessoa que tenho profundo respeito, em uma
conversa informal onde ela disse-me em poucas palavras o seguinte:
se você chegar e resolver ir de casa em casa para convidar a
comunidade para fazer um mutirão para arrumar algo, como
por exemplo o gramado do clube dos trinta ( Clube de uma
comunidade de Reserva do Iguaçu ), ou coisa deste gênero,
você não conseguirá ninguém mas, se você
ao invés disso passar de casa em casa falando: _ vejam só
que vergonha esta situação do gramado do clube dos
trinta, esta administração não serve para
nada e blá blá blá, aí meu amigo, você
pode ter certeza que você vai ser ouvido e será bem
visto até. Será considerado alguém preocupado
com o patrimônio público e poderá ser o novo
presidente do clube e aí, aquele que o fora na gestão
anterior passará a ser o novo homem preocupado com o bem
estar dos associados.
Ai meu São João do pau oco, não sei onde
reside o maior cinismo, se é na população que
acredita nas ilusões por mero oportunismo ou nos
oportunistas de ocasiões que sabem como manipular os ânimos
dos medíocres. Já perceberam que neste país
todo mundo pensa que é Santo? É um país de
coitadinhos e de líderes injustiçados, mal
compreendidos. Um país de mascaras de gesso onde o cinismo
vasa pelas rachaduras de sua fantasia existencial. Não, então
responda-me, quantas vezes você é sincera com as
pessoas durante o dia? Quantas vezes você é sincera
consigo mesma?
No fundo não passamos de queixosos cínicos. Cínicos
ao ponto de acharmos os programas de auditório um lixo e
seus apresentadores uns patetas mas, somos incapazes de desligar o
televisor para fazer algo que julguemos ser mais elevado, visto
que não sabemos o que poderia ser mais elevado. Aí,
preferimos nos deleitar no sofá e falar mal do nosso mal
gosto, visto que a televisão nada mais é que um
espelho de Narciso pois, no fundo, não é que nós
achemos os programas um lixo, é que nós adoraríamos
estar no lugar dos sujeitos que lá estão.
Mas a inveja nunca se apresenta nua e crua frente a sociedade, não.
A inveja é como um fungo e necessita de lugares úmidos
e escuros para poder sobreviver. É como uma micose que nos
come pelos garrões e como tal, ela é contagiosa e
todos nós, corremos o risco de sermos infectados por ela e,
para cura-la basta que tenhamos vontade de expurga-la visto que
seu diagnóstico é fácil e seu tratamento mais
ainda. Basta que sejamos capazes de olharmos para nós
mesmos uma vez ou outra. Fácil não? O problema é
que tem gente que acha gostosa aquela coceirinha que dá
entre os dedos. Aquele que acredita em suas pequenas mentiras,
acredita com facilidade nas grandes visto que não sabem
mais diferenciar o verdadeiro do falso. Pensa que não há
ninguém neste mundo que possa engana-los, a não ser
eles mesmos.